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01 julho 2010

Festa!

Gente, em meados de agosto (dia 14, sábado), vai rolar um festival bacanérrimo na vila madalena, com muita música e artes visuais. O evento tá sendo organizado pelo coletivo de designers e artistas do Overlei. Mais pra frente trago mais informações sobre o evento (programação, preços, localização). Por hora, deixo aqui o tom do festival na forma de um Manifesto, e convido desde já a todos aqui do blog: vamo?


Manifesto Debaixo d'água

Respire fundo. Você está prestes a mergulhar, e precisa se concentrar muito pra chegar lá embaixo. O azul será uma simples malha da expressão normal da luz, mas haverá cores que você sequer imagina e um calor confortável - como se o nada, em si, fosse familiar. A primeira experiência debaixo d'água incita uma sensação maravilhosa de conexão e sinergia com o mundo: é um rito de passagem. Um batismo.

Isso: um tempo contemplativo - um templo, como o útero. Os movimentos graves vão se demorar por lá, acariciando as sensações. Surgirão nuances de uma nova música que vai se alongar em frequências alternativas, diferentes daquelas da superfície. E quando você menos esperar, cores e seres bioluminescentes vão estar à sua volta, multiplicadas, aos milhares. Esse é o momento. Você vai saber que está deixando um mundo pra trás, e vai sentir sua percepção querendo te mostrar uma verdade ultrasensível. Logo seu corpo não será mais que uma mera lembrança. Será parte da água a partir dali, e se juntará à imensidão líquida, unificadora de todas as coisas.

Os seres bioluminescentes do Overlei te chamam. Ouça: é essa música que vem de baixo d'água e de trás do espelho, como o segredo das sereias, ou o tic-tac apressado do coelho branco. É a luz estranha de dentro do seu monitor, e a próxima música do seu shuffle (travestida de um improvável acaso).

Seremos todos águas-vivas, e celebraremos encharcados essa vida-água com música, imagens, êxtase e contemplação.

Dia 14 de agosto,
Overlei DEBAIXO D'ÁGUA.

22 janeiro 2010

05 janeiro 2010

A Maravilhosa Experiência Livre e Deficiente



Debout sur le Zinc é uma banda francesa, difícil de enquadrar em algum estilo - tendência de muita coisa boa que se tem feito por aí. A Wikipédia até tenta rotular, dizendo que é uma mistura de música francesa com música irlandeza, rock, klezmer, gypsy jazz (jazz cigano), tango e valsa. Dá pra ter idéia do som?

Descobri a banda brincando de descobrir música boa de outros países (atividade excitante com tendências ad infinitum, alerto). Na profusão de um sem-número de ferramentas (allmusic, skreemr, last.fm, wikipedia, isohunt), a ideia é ir separando o joio do trigo (via gosto - o parâmetro mais excelente que já inventaram), buscando sempre uma experiência válida e concreta com cada banda. Ocorre que, buscando a referência da referência da referência da referência, a experiência se torna mais pura, pois há pouquíssimos valores - além do som em si - relacionados com a banda. A experiência acontece dentro de um contexto mínimo - não se conhece a proposta do grupo musical, ou uma eventual roupagem adotada, rótulos ou estilos -, o que permite que a música soe mais alta do que outros potenciais parâmetros de julgamento e contemplação.

Quem gosta de baixar coisa nova sabe do que eu tô falando. Nossa posição como caçador de tesouros é ativa; digo, a banda não vem até a gente, mas a gente vai até ela, e pra isso é imprescindível que ela exista em quantos espaços virtuais forem possíveis. E ouvir pela primeira vez um banda recém baixada, da qual não se sabe nada além do nome, apenas deixando-a escorrer pelo tempo e pela sala, é das coisas mais gostosas de se fazer. Entretanto, esse deslocamento contextual nos deixa nus dentro de um universo experimental que, por vício ou virtude, se relaciona frequentemente com valores periféricos, como os estimulos visuais da identidade gráfica e do figurino dos músicos; a identificação com o perfil do fã-comum; opniões da crítica especializada e dos formadores de opnião; e os demais símbolos e signos que giram em torno do objeto. Exponho, por absurdo que soe: é possivel experimentar uma banda sem mesmo ouvir suas músicas.

O que quero dizer é que a internet nos propõe experiências mais puras (livres de valores orbitantes) do que as que temos fora dela - e talvez, por causa disso, experiências menores, deficientes. Não falo apenas de música, mas de literatura, artes plásticas, o que quer que seja. Exemplifico: ler uma poesia, no blog Maná Zinabre, do Leo Curcino ou do Heyk Pimenta e vê-los falar a mesma poesia num sarau são experiências distintas, que vão criar impressões e entendimentos diferentes. No blog têm-se uma identidade gráfica, uma proposta coletiva bastante aberta e a possibilidade de diagramação no texto. No sarau vemos a cara do sujeito, sua roupa, o tom de sua voz, as flexões e as gaguejadas, a reação da platéia; ali ele está inserido num contexto onde há iguais, e relacionamento com esses iguais; há o sotaque goiano do primeiro e o mineiro do segundo. A cabeleira cacheada, o modo sedutor e o sorriso sem-vergonha do segundo, assim como o jeito tímido e sincero do primeiro, dotado de um "quê" indígena (e algo feminino, sem duvidar de toda macheza) nas feições. Todo esse trem periférico - esse anel planetário - se mescla com a poesia que é dita e forma um só corpo, uma só existência.

De nós, experimentadores de primeira mão (já que somos a primeira geração que creceu com a coisa-internet), surge um modo novo de entender, processar e interpretar o mundo. Aliás, é desse mundo, de experiências virtuais e não-virtuais, puras e deficientes ou saturadas de valores periféricos, que a gente tira a matéria prima e cria valores pra fazer o que a gente tem chamado de vida. Não é?



Texto originalmente escrito para a coluna do dia 1 da revista-blog Maná Zinabre.

15 outubro 2009

Overlei, o blog de imagens

Gente, eu, junto com um pessoal que também tá aqui entre os membros do Depois eu falo (Zezé, Jira...), montamos um blog coletivo de produções relacionadas a qualquer tipo de expressão visual - o Overlei.

Lá rola pintura, desenho, design, vídeo, animação, escultura, grafitti, direção de arte, fotografia, crítica, ensaio estético, e por aí vai.
Valoriza-se muito essa diversidade, pra que haja trocas bacanas e opniões distintas. É legal essa feirona livre, porque quem pinta quadro acaba comentando sobre tempo de exposição da galera da foto, e quem mexe no photoshop vem opinar sobre o kern das letras de um grafitti (haha, exemplo over, mas é pra passar a idéia).

Enfim, separei algumas obras que foram postadas recentemente por lá, só pra dar um gostinho. Atualmente o blog conta com 21 membros, mas tá em fase de crescimento. Logo logo haverá mais de uma novidade por dia lá no espaço.













Fotomontagem / manipulação, por Raphael Taira.














Fotografia, por Henrique [Jira] Smith.




















Poster / design, por Maria Isabel [Mel].
















Tinta acrílica e café sobre tela, por Philippe Bacana.

É isso.
Espero que gostem do nosso espaço.

Abraços!

23 dezembro 2008

Melhores sites de 2008

Opa, primeiro post meu aqui no Depois eu Falo.

Bastante gente que acessa o Depois eu Falo já deve conhecer o site (principalmente os diretores de arte). Quem me passou foi o Zezé, via twitter. Tô passando a referência pra quem não conhece mesmo. Como acho que tem mais a ver com a proposta aqui do blog, tô indicando uma matéria específica deles, acerca dos melhores sites de 2008:

http://www.abduzeedo.com/2008-the-best-sites-year




Pra quem não conhece o site, explorem aí, vale a pena.

Ah, essa seção é boa:
http://abduzeedo.com/the-star-wars-culture

É isso.
Bom natal pra todos.